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segunda-feira, 11 de maio de 2009

Um Palhaço Que Perdeu a Graça


Estou morando em São Paulo há 2 meses e como todos sabem estamos em crise, uma bosta, se era difícil o artista encontrar algum espaço, agora mais do que nunca o artista tem que ir à luta e o palhaço Manu foi, pra defender um ganho o palhaço vendeu o seu talento para o semáforo da Joaquina Ramalho, Vila Guilherme, Zona Norte de São Paulo.
Ao fechar o semáforo lá estava ele com suas artimanhas, truques e malabares... Assim o palhaço Manu ía garantindo o da feira, a ração de suas filhas e o transporte para sua mulher ir a uma entrevista de emprego. E o calor que se foda, o risco do atropelo que se dane, o importante é aguentar o trampo, em duas horas o palhaço fazia vinte reais, é pouco mas ajuda.
O que mais deixa o palhaço feliz é a resposta do seu público, ora um aceno, ora um cumprimento, ora um sorriso... Assim o trampo vai ficando leve e as horas passam rapido, mas esse dia o palhaço ficou murcho, ficou jururu e aquelas duas horas pesaram uma tonelada em suas costas, ele sentiu o seu suor escorrendo no asfalto e milhares de pensamentos invadindo a sua mente. A resposta do seu público veio de forma dolorida, um vidro se fechou em sua cara e ele viu o seu reflexo, o seu suor e o seu pensamento. - sou um artista e não um ladrão, sou um palhaço em busca da minha autentica expressão, estou trabalhando e não pedindo esmolas. E ele voltou pra casa mais cedo, talvez pelo vidro que se fechou, talvez pelos milhares de pensamentos ou medo de ser mais um palhaço sem alma.